“Na reta final, as sensações se intensificam, tanto as de alegria, como as de desespero.”
Oito anos. Duas Copas do Mundo, quatro eleições. Para mim, uma faculdade de Jornalismo. Encho quase duas mãos para contar nos dedos meu tempo de Unisinos. Agora que está chegando ao fim, percebo que são incontáveis as lembranças desta fase.
Trata-se de um período longo, caro e cansativo, porém muito bem vivido. Seja pela galera do bus jogando baralho para passar o tempo na viagem diária entre o Vale do Sinos e a Serra, seja pelas gurias do vôlei que me fazem pensar que ainda tenho 15 anos pelo menos duas vezes por semana, seja pelas tardes de chimarrão no PPG, seja pelas boemias pós-aula nos botecos do outro lado da avenida.
Um ex-colega de trabalho, depois de se separar da mulher, resolveu fazer outra faculdade porque esses tinham sido os melhores anos da vida dele. Ele tinha toda a razão. Passei anos da minha vida querendo que isso acabasse de uma vez. Entre outras coisas, porque começa a encher o saco ter 25 anos e alguma dose de experiência nas costas, mas ser uma eterna estagiária. Noites a fio desejei que acabasse de uma vez essa rotina de cinco turnos: estágio, pesquisa, aula, afazeres domésticos, trabalhos da faculdade.
Agora falta pouco. Coisa de dois meses, mais um tempinho de espera pela entrega do canudo, e deu. Na reta final, as sensações se intensificam, tanto as de alegria, como as de desespero. Uma vez formada, parece que a coisa fica séria de verdade. E fica. Por outro lado, é nessa fase que a gente acaba tendo a oportunidade de conhecer melhor algumas pessoas que eram apenas colegas de aula. Fiz bons amigos na faculdade, alguns que até já se formaram e continuam aparecendo para tomar um chimarrão ou uma cerveja de vez em quando. Mas a turma de formandos tem uma mística, sei lá. O clima é outro. O momento é único. Vamos nos formar!
Um terço da minha vida eu passei na faculdade. Serão memoráveis os momentos finais, isso é certo. Obrigada, colegas!
domingo, 9 de outubro de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Jornalismo, uma microutopia
“Quis ser jornalista porque acredito que essa profissão não só é útil como é necessária à sociedade.”
Uma declaração do professor venezuelano Adrián Padilla, durante o Seminário de Metodologias Transformadoras realizado na Unisinos semana passada, serve de amparo para justificar minha opção pelo jornalismo. Segundo Padilla, existem macroutopias e microutopias. Queremos mudar o mundo. Não podemos. Mas transformar a realidade que nos cerca é possível.
Eu quis ser jornalista porque queria mudar o mundo. Partilho da convicção do professor de que é possível transformar realidades ao nosso redor, com trabalho ético, responsável e comprometido socialmente. Haja a tecnologia que houver.
Não importa que ministros do Supremo Tribunal Federal digam que o jornalismo não prescinde de conhecimento técnico – e que por isso o diploma é desnecessário para o exercício da profissão. Não importa que vereadores de cidades interioranas digam que o jornalismo nada acrescenta à sociedade.
Eu quis ser jornalista porque acredito que essa profissão não só é útil como é necessária à sociedade.
Os veteranos da área podem me acusar de ideologia. Podem dizer que isso não passa de um discurso juvenil de quem está em início de carreira. Vão apostar que minhas palavras não sobreviverão às rotinas exaustivas, aos baixos salários e aos calendários sem feriados.
A esses, não posso responder sobre o futuro, mas posso adiantar que já vivo parte dessas agruras há um tempo. E o pior é que gosto mais a cada dia. Sobretudo porque na ilha ao lado sempre há um colega com décadas de jornalismo nas costas para me inspirar a não desistir das microutopias.
Sou (quase) jornalista. É isso que faço todos os dias para mudar o mundo.
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