quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Seguem os mitos em torno de Lost 6

No princípio era John Locke que aparecia ao centro, mas de costas no cartaz promocional de Lost 6. Depois, um tabuleiro de xadrez serviu como plano de fundo para o vídeo promocional da emissora Cuatro. Agora, o elenco posa para uma foto inspirada na Última Ceia, com Locke de novo ao centro, no assento de Jesus Cristo.


Em debate promovido dia 12 de janeiro, na Escola de Design da Unisinos, em Porto Alegre, Francisco Machado Pereira, André Conti Silva e Daniel Bittencourt discorreram sobre três aspectos que fazem de Lost um fenômeno midiático da atualidade: mitologia, roteiro e transmídia.

Lost está povoado de conhecidos mitos da humanidade, de diferentes épocas e crenças, entre as quais chamam atenção estátuas egípcias e personagens com nomes bíblicos – sem contar os que têm nomes de filósofos, como o próprio John Locke, Danielle Rousseau, Desmond Hume... há ainda a chuva que cai ou cessa em momentos cruciais da série, como lembrou Francisco no debate; a sugestão de que os sobreviventes foram “escolhidos” pela Ilha; e a eterna dúvida sobre que diabos é aquela Ilha, a que universo ela pertence – ou a que época, já que eles pulam no tempo o tempo todo.

A estrutura do roteiro contribui para reforçar o misticismo da série, pois os personagens recebem informações ao mesmo tempo que o público, nem antes nem depois. No debate, André comparou essa estrutura com a de uma telenovela: na novela das oito, em geral, ficamos sabendo que João é filho de José antes dos personagens e esperamos capítulo após capítulo para que essa revelação seja feita. Em Lost não. Nunca cogitamos a possibilidade de Jack ser irmão de Claire e caímos para trás quando eles descobrem, porque ficamos sabendo junto com eles. É o que esperamos para a temporada final, que começa dia 2 de fevereiro, pois há cinco temporadas Charlie lançou a dúvida: “Guys, where are we?”. Ele partiu sem saber a resposta, mas nós queremos saber.

Questionamento pertinente também levantou Daniel no debate: o que é Lost? Para ele, Lost não é apenas uma série de TV, os desdobramentos transmidiais da série estimulam a criação de novas narrativas, novas formas de consumo do produto midiático. Lost não se limita ao que passa na TV, seja por iniciativa dos produtores, ao lançarem cartazes sugestivos como este da ceia antes que a próxima temporada entre no ar, seja por iniciativa de fãs, que povoam blogs e sites de relacionamento apresentando sua teoria para o fim da trama.

E foi divagando sobre nossas teorias que saímos do evento até a parada de ônibus, no trajeto até a estação do trem e assim por diante. Mal podemos esperar pelo começo do fim, dia 2 de fevereiro.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

“Querido Papai Noel...

...o meu sonho é ganhar uma Barbie e tenho 7 anos e tô na 1ª série e o meu nome é Maria Gabriela”

Esta é a cartinha que adotei este ano, na campanha Papai Noel dos Correios. Escritas num pedaço de folha de caderno com 5x15cm, estas poucas palavras me remeteram aos meus 7 ou 8 anos de idade, quando eu também escrevi ao Papai Noel pedindo-lhe uma Barbie. Eu nunca tive uma Barbie.

Fiz toda a minha formação escolar em colégios particulares, do jardim de infância à universidade, mas nunca com menos esforço – antes dos meus pais, agora meu – para pagar as mensalidades. Não que eu tenha tido uma infância pobre, bem longe disso. Eu apenas tive uma infância diferente das minhas colegas de aula. E era por me sentir diferente que eu queria uma Barbie. Eu ia na casa das outras meninas da escola e via aquelas prateleiras cheias de bonecas loiras e lindas: grávida, princesa, bailarina, esportista. Das mais variadas versões. Elas tinham muitas Barbies, e eu nenhuma.

O meu pedido ao Papai Noel resultou numa imitação da boneca famosa que eu tanto queria - até morena era! - e numa carta-resposta do Papai Noel, que só anos mais tarde fui saber que havia sido escrita por meus pais. A carta dizia que havia muitas crianças a serem presenteadas e o Bom Velhinho infelizmente não tinha conseguido atender fielmente ao meu pedido, mas esperava que eu ficasse contente com o que ganhei. E eu fiquei. Nossa, como eu fiquei feliz! Brinquei muito com aquela Barbie-fake e com as roupinhas que minha mãe fazia para ela. Lembro que o nome da boneca era Maria, o mesmo nome da minha mãe e da mãe de Jesus.

Natal passado, contei essa história para uma das primas do meu namorado, mais ou menos da idade da Maria Gabriela, e deixei a família toda comovida: “A Taís nunca teve uma Barbie!”, diziam, como se isso fosse algo de extraordinário. Na noite de Natal, aos 20 e poucos anos, ganhei minha primeira – e única – Barbie (da minha sogra!).

No dia seguinte, com minha mãe por perto, contei pela enésima fez esse episódio da Barbie-fake e até chorei. Não porque finalmente tinha ganho a boneca linda e loira (original!) que toda menina sonhava ter, mas porque o gesto dos meus pais me deixou uma lição, a qual eu só percebi muitos Natais depois: se não podemos ter tudo o que desejamos, ao menos podemos ser felizes com o que temos.
Se tem uma coisa que aprendi com eles é a ser feliz e a valorizar o que tenho, mesmo que não seja muito, porque o amor, o caráter, a amizade, a solidariedade e tantos outros valores evocados nesta época do ano são muito mais caros do que a mais cara das bonecas. Feliz Natal!