quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Suíte


“Qualquer comentário despretensioso no Twitter pode ser usado contra você pelos colegas mais atentos.”

No glossário jornalístico, suíte não tem nada a ver com quarto com banheiro integrado. Chamamos de suíte a continuação, repercussão, atualização de um assunto. Bater na mesma tecla, para usar uma expressão proibida no bom texto jornalístico.

Suitar (sim, conjugamos o vocábulo) é um desafio quase diário na Redação. As ferramentas de mensuração de audiência online potencializam o processo: a matéria foi a mais acessada do dia? Tem que ter uma suíte. Tem que ter.

Algumas pautas são mais facilmente suitáveis, outras menos. Mas, nem que seja com um fato novo, o jornalismo diário continua.

Todo esse nariz de cera (jargão da área para “encheção de linguiça”) apenas para entrar no assunto Mochilão pelo Interior, de ZH. Os correspondentes do jornal espalhados pelo Estado abraçaram a ideia e partiram para a segunda caravana no último fim de semana. Tem gente se recuperando até hoje (sim, na quarta!) e cada dia é uma surpresa na caixa de entrada.

Taí um assunto que ganhou suíte da suíte (da suíte...). Tem pauta até a próxima edição. O violão sequestrado, o travesseiro extraviado, o cochilo (em serviço) flagrado. Nada passa batido. Qualquer comentário despretensioso no Twitter pode ser usado contra você pelos colegas mais atentos.

É, vida de jornalista. Bem-vindo ao mundo de pautas intermináveis e muitas, mas muitas piadas internas!

Na foto aí em cima, está a turma da caravana desconcentrando todo mundo na Redação, com o mapa das próximas aventuras em mãos. Coisas simples que compensam as longas horas de trabalho, de domingo a domingo, incluindo feriados. Com bons colegas por perto, essa vida de jornalista tem muito mais graça.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Depois dos desaniversários, as “desformaturas”


“Se um dia por ano é pouco para comemorar a vida, imagine um dia na vida para comemorar a graduação"

Tem gente que chora em casamentos. Eu choro em formaturas. Mas ontem chorei mais. Chorei porque dos 50 e tantos que receberam o grau de bacharéis em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo fui colega de pelo menos uns 40. Convivi com alguns por mais tempo, outros por menos. Tinha vários amigos naquele palco. Outros não eram tão próximos, mas serão igualmente recordados por algum comentário em sala de aula, um trabalho em grupo, uma cerveja no Xis do Alemão.

Eu não tenho dúvidas de que o dia da minha formatura – que há de chegar! – será o mais lindo da minha vida, mas devo admitir que a noite de ontem foi linda demais. Eu estava que nem mãe e vó de tão emocionada pelos queridos colegas que estavam lá recebendo o canudo.

Vibrei com cada quebra de protocolo (os filhos lindos da Nanda Herrera que correram para abraçar a mãe, o par de All Star lançado ao palco para a Bruna Schuck calçar, o Matheus Cardoso puxando uma colega para dançar uma vaneira, o desfile do Garoto Verão Hallan Klein, e por aí vai). Tive um flashback a cada nome chamado.

Abracei com todas as minhas forças tantos quanto consegui localizar no final da cerimônia. Em muitos deles, pode ter sido o último abraço em um longo intervalo, até que nos reencontremos em alguma coletiva de imprensa ou quem sabe agendando uma entrevista com o cliente do outro. Alguns, ainda bem, poderão receber mais abraços segunda-feira na firma ou semana que vem na próxima janta da galera.

Na hora da festa, tive que me dividir para comemorar. No fim, não consegui agradar a todos, infelizmente. Então lembrei dos desaniversários. Se um dia por ano é pouco para comemorar a vida, imagine um dia na vida para comemorar a graduação. Eu, uma eterna “desformanda”, que o diga. Tanto que apareci no telão diversas vezes, infiltrada nas saudosas confrarias realizadas no decorrer do semestre.

Não colei grau em Jornalismo com esta galera, mas colei grau em amizade, com direito a extensão em solidariedade, bom-humor, parceria. Espero que a pós-graduação não fique só na saudade. Obrigada, colegas. E parabéns, jornalistas diplomados!