sexta-feira, 10 de abril de 2015

Só???

Passado um mês de dedicação exclusiva ao doutorado,  já posso enumerar algumas perguntas que fazem um doutorando tremer, principalmente se for bolsista e em início de curso. Aí vai meu top 3:

1- "Mas você está SÓ fazendo doutorado?". Sim. SÓ.

2- "Quantos dias você tem AULA?". Um. "SÓ???". Sim. SÓ.

3- "Sobre o que é a sua pesquisa?". Jornalismo. "Tá, mas especificamente o quê?". Calma, eu SÓ comecei, tenho quatro anos para pensar nessa resposta!

Quem, por acaso, já me fez uma dessas perguntas (ou todas), não precisa se preocupar. Não guardo rancor. Mas se puderem evitar, agradeço. Quanto à terceira pergunta, um texto que escrevi há pouco tempo, publicado no Observatório da Imprensa, dá algumas pistas do que ando pensando/fazendo:



quarta-feira, 25 de março de 2015

Gustavo, o 13 de ouro


Se fosse uma carta no jogo de baralho, Gustavo Endres seria o 13 de ouro. Pela seleção brasileira de vôlei, o central gaúcho de 39 anos e 2m03cm foi campeão de tudo: ouro na Olimpíada de Atenas em 2004, campeão de dois Pan-Americanos, dois Mundiais, duas Copas do Mundo e seis Ligas Mundiais. Eleito o melhor bloqueador em várias competições, Gustavo era um dos pilares da geração mais vitoriosa que o vôlei brasileiro já viu.

Mas todo atleta tem seu ciclo. Após a eliminação do Canoas nas quartas de final da Superliga, o multicampeão anunciou que vai pendurar as joelheiras. Nesta temporada, a terceira no Canoas, o meio de rede natural de Passo Fundo já não tinha mais aquela efetividade dos tempos áureos. O que se destacava mesmo na sua atuação, além das veias saltadas no rosto a cada “toco” (jargão do vôlei para ponto de bloqueio), era sua liderança.

A braçadeira era mero adereço. Em jogos no La Salle, vi Gustavo ser veemente ao cobrar dos novatos o posicionamento correto e também ao reclamar das marcações da arbitragem. Era um capitão nato. Colega de equipe, Thiago Barth, 26 anos, mais um gaúcho que joga na mesma posição e forte candidato a uma vaga na seleção do próximo Pan, traduz o respeito que um ídolo da envergadura de Gustavo merece:

_ Qualquer central que começou a jogar nos últimos 10 anos deve ter se espelhado nos bloqueios do Gustavo. Ele escreveu o nome dele no voleibol mundial.

A postura de Gustavo fora de quadra também sempre foi respeitável: nunca se esquivou da defesa por melhores condições para os atletas e, desde que veio para o Canoas, tem sido um porta-voz contundente da equipe. Características que o credenciam para seguir ligado ao voleibol no papel de dirigente. Outro central gaúcho medalhista olímpico, André Heller, 39 anos, é um exemplo: parou de jogar, mas permaneceu no Brasil Kirin, de Campinas, como coordenador técnico.


O Canoas ainda não tem um posicionamento oficial sobre o destino do agora ex-atleta, mas não há dúvida de que a permanência de Gustavo no clube seria benéfica para ambos. Ele tem a empatia da torcida, está identificado com o time e a cidade. Ficando no Canoas, o 13 de ouro certamente ajudaria a consolidar o projeto do clube de recolocar o vôlei gaúcho entre os melhores do país. Gustavo é bom demais para virar carta fora do baralho.  

*Este texto foi originalmente publicado na coluna De Fora da Área, em Zero Hora, no dia 19 de março de 2015.