Se meu apartamento fosse um filme de ficção científica eu temeria que os eletrodomésticos estão armando um ataque contra mim. O micro-ondas se recusa a aquecer meu café. A lavagem rápida da máquina de lavar roupas promete 30 minutos, mas demora duas horas para terminar o serviço. O aquecedor elétrico resfria em vez de aquecer. E a televisão tenta me irritar com cortes sucessivos no som.
Enquanto tento driblar o livre-arbítrio dos aparatos técnicos ao meu redor, o Jornal Nacional transmite uma reportagem justamente sobre uma exposição chamada “Emoções tecnológicas”. Não falta mais nada.
Acho que foi a aula de ontem sobre McLuhan que me trouxe à lembrança os devaneios dos meus primeiros anos na pesquisa em comunicação. Para o pesquisador canadense mais pop da ‘aldeia global’, os meios são extensões do homem: a roda uma extensão do pé, a roupa uma extensão da pele. E os aparatos técnicos não param de evoluir e estender nossas capacidades – ou seriam as capacidades deles mesmos?
O limite potencialmente atenuado entre o humano e o tecnológico acabou gerando um imaginário apocalíptico amplamente representado em narrativas de ficção científica cada vez mais verossímeis. Mutantes, robôs, ciborgues e coisas do gênero já nem parecem tão ficcionais assim.
Falo sério, temo pelos devires da ficção científica. Quem brinca com isso é uma dupla humorística da Austrália, que criou há um tempo um quadro de “pegadinhas” na televisão chamado Almost Tranformers. Qualquer semelhança com minha suspeita de que estou à beira de um ataque dos aparelhos domésticos pode não ser mera coincidência.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
O diploma é o de menos
Enquanto a gente se preocupa com o diploma - e olha que não poucas vezes defendi a obrigatoriedade deste por aqui -, o jornalismo passa por uma crise de identidade muito mais avassaladora que a instabilidade da categoria.
Mais do que se preocupar com a regulamentação da profissão e até com a definição da fronteira teórico-epistemológica em que se situa a comunicação (tipo de coisa com que temos nos ocupado em discutir nas aulas do mestrado ultimamente), é preciso prestar atenção no que o jornalismo está se tornando ou em que pode ser transformado diante dos avanços tecnológicos que estão por aí.
Não é a primeira vez que a inovação tecnológica muda formatos, cria gêneros, redefine modos de produção jornalística. Mas é a transformação da qual somos atores. É preciso pensar nisso...
Não deixe a ironia passar despercebida: plataformas automatizadas agora
"escrevem" reportagens sobre empresas que ganham dinheiro com transações
automatizadas. Essas reportagens terminam influenciando o sistema
financeiro e ajudam os algoritmos a identificar transações ainda mais
lucrativas. Em termos práticos, o que temos é jornalismo produzido por
robôs e para robôs. O único lado positivo da história é que o dinheiro
todo fica para os seres humanos. Leia o texto completo na Folha
Mais do que se preocupar com a regulamentação da profissão e até com a definição da fronteira teórico-epistemológica em que se situa a comunicação (tipo de coisa com que temos nos ocupado em discutir nas aulas do mestrado ultimamente), é preciso prestar atenção no que o jornalismo está se tornando ou em que pode ser transformado diante dos avanços tecnológicos que estão por aí.
Não é a primeira vez que a inovação tecnológica muda formatos, cria gêneros, redefine modos de produção jornalística. Mas é a transformação da qual somos atores. É preciso pensar nisso...
Os robôs vão substituir os jornalistas?
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