Não sou nenhum gênio da matemática e não entendo nada de geometria espacial, mas eu devia ter feito Engenharia.
Devia ter feito Engenharia porque não tem lógica um ônibus urbano com portas no meio. Simples: o cidadão que vai descer na parada seguinte fica ali, perto da porta, aí quem entra no ônibus não consegue passar da roleta.
Se a porta fosse no fundo (como era antigamente), o cidadão que quer descer vai se dirigindo para o fundo do ônibus, consequentemente, libera espaço na frente e os passageiros que entram conseguem pelo menos passar pela roleta.
Nada que uma aula de física do segundo grau não resolva. Mas aí os caras passam o dobro do tempo que um jornalista na faculdade para fazerem esse tipo de coisa.
Não dá para estimular o uso do transporte coletivo com uma situação dessas. Só que eu sei disso porque sou jornalista. Devia ter feito Engenharia para não precisar andar de ônibus.
sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Comerciante de São Jerônimo dá à luz quadrigêmeos
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| Dilcimara e Luiz Carlos Baierle | Foto: Taís Seibt |
A comerciante Dilcimara Baierle, 37 anos, sempre sonhou em ter gêmeos. Mãe de duas meninas — Vitória, 13 anos, e Nicolly, quatro — tinha parado de tomar a pílula anticoncepcional para tentar um menino. Quase matou o marido de susto quando chegou em casa com a notícia de que viriam dois meninos e duas meninas. Luiz Carlos Filho, Isabella, Sophia e Luiz Felipe nasceram entre as 22h37min e as 22h40min de sábado, no Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, pesando, em média, 1,3kg.
— Teremos que mudar bastante a rotina, já diminuí a sala para aumentar um quarto e vamos ter de contratar duas babás para ajudar, mas estamos muito felizes — relata a mãe, que a toda hora sai do quarto para dar uma espiada nas crianças pelo vidro da UTI neonatal.
A quadrimãe, natural de Rio Pardo, mora com a família em São Jerônimo, e já tinha fixado residência no hospital em 18 de janeiro, devido aos riscos da gestação. De acordo com a obstetra e especialista em gestação de alto risco Janete Vettorazzi, graças à boa saúde e à internação precoce da mãe, o quarteto alcançou uma marca rara: nasceu com 30 semanas, enquanto a média, nesses casos, é de 28.
De acordo com a médica, os bebês só poderão ir para casa quando atingirem pelo menos 2kg, o que deve demorar cerca de dois meses. Seriam quatro, em casos típicos. Nesse tempo, Dilcimara, que receberá alta nesta semana, vai ficar na casa de uma amiga na Capital, para não se afastar das crianças.
Gêmeos na famíliaEmbora a concepção natural de quadrigêmeos não seja comum, a hereditariedade está a favor de Dilcimara, que tem gêmeos bivitelinos entre tios e primos. Esse fator, segundo a obstetra Janete, foi determinante. O caso era delicado tanto pela idade — toda gravidez acima dos 35 anos é considerada de risco — quanto pelo tamanho do útero.
— As chances de rompimento do útero são muito grandes, o que coloca em perigo tanto a mãe quanto os bebês — destaca a médica.
Devido ao alto risco, o parto de quadrigêmeos é uma megaoperação: foram dois obstetras, dois anestesistas, quatro pediatras, três enfermeiras e quatro técnicas de enfermagem. Sem contar a preparação da UTI e os profissionais que ficaram de sobreaviso para o caso de complicações.
Tudo correu bem, mas os cuidados não param após o parto. Os bebês precisam ganhar peso e a mãe ainda corre riscos de sangramento, precisa tomar medicamentos para que o útero volte ao tamanho normal e tem de estimular a produção de leite para poder amamentar os filhos quando todos estiverem em casa.
Leite, aliás, é uma das preocupações da família. Assim como fraldas. Serão necessárias cerca de 1,5 mil fraldas por mês. Enquanto atende os telefonemas de familiares e amigos dando os parabéns, Dilcimara torce para que a solidariedade se transforme em doações. Interessados em ajudar podem enviar e-mail para vinicksj@gmail.com.
*Texto originalmente publicado em Zero Hora.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Plauto Cruz, o chorão
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| Plauto Cruz | Foto: Stéfanie Telles |
Uma figura simples, singular, Plauto Cruz. A declaração é do radialista Glênio Reis, para o documentário O choro é livre, produzido por alunos de Jornalismo da Unisinos no segundo semestre de 2011. O vídeo abriu a noite de homenagem ao flautista na Livraria Cultura do Shopping Bourbon Country, em Porto Alegre, na quinta-feira, 26.
Quando Plauto apareceu no vídeo pela primeira vez, uma voz infantil no meio da plateia deixou escapar a pergunta: "Ele tá aqui?". Sim, ele estava atrás do telão. Revelado ao público após a exibição do documentário, um Plauto sorridente recebeu os aplausos e agradeceu: "Muito obrigado, muito obrigado e, mais uma vez, muito obrigado". Simples assim. Pegou a flauta e acompanhou o grupo de chorões comandado por Paulinho Parada em Choro para Agnaldo.
Aos 82 anos, ele não só tinha fôlego de sobra para soprar algumas notas como também tinha ouvido crítico o bastante para reclamar da afinação do instrumento: "Tem umas três notas na flauta que desafinam e eu não quero tocar se não sair, peço desculpas a vocês". Como se alguém fosse se importar. A noite era de homenagem, de chorões para um chorão. Um, não. Plauto é o chorão.
Enquanto o grupo tocava Nora, uma valsa composta pelo flautista, o velho chorão descansou a flauta no colo e secou uma lágrima dos olhos. Plauto Cruz, que transforma sentimentos em notas musicais, também se emociona com seus próprios acordes. E assim, o choro _ musical ou lacrimal _ brotava da alma para tomar conta da plateia, tanto quanto do palco. Tanto quanto de Plauto, que, com voz embargada, arriscou-se a dizer que irá compor um novo choro, dedicado ao grupo que o presenteava naquela noite com belos arranjos para suas composições.
Mas quem apresentou uma nova composição foi o jovem bandolinista Elias Barboza _ insistentemente chamado de César por Plauto, arrancando risos do público noite adentro. Chamava-se Choro para Plauto Cruz. "Além de ser um grande mestre do choro, ele era amigo do meu avô, que era acordeonista. Tocar ao lado dele foi uma honra", disse Elias, que tem apenas 24 anos e arrancou elogios rasgados do ídolo com quem dividia o palco naquela noite _ nem levou em conta o nome trocado.
Passado, presente e futuro do choro
O repertório da homenagem teve espaço também para músicas como Naquele Tempo e Carinhoso, de Pixinguinha. Na primeira, Plauto manifestou ter saudades de seus 18 anos. Na segunda, o que se revelou foi o cantor Plauto Cruz, com ajuda da plateia nos conhecidos versos de amor. Amores não faltaram para inspirar o choro do flautista. Ele compôs Força atraente para sua esposa, mãe de seus filhos, já falecida. Tema de Amor era dedicada a uma namorada que tinha 19 anos _ quando ele tinha 50.
Eram tantas lembranças que ele insistiu em cantar mais uma, sem ensaio, na moda "pega pra capar", conforme definição dele mesmo: "É sempre bom lembrar coisas passadas" cantou nos primeiros versos de Porto dos Casais, conhecida na voz de Elis Regina.
Só que Plauto Cruz não é passado, é presente, estava no palco para inspirar a aprendiz de flautista Sofia Lopes de Castro, de oito anos, a dona daquela voz infantil que se ouviu na plateia no início da noite. Quem sabe uma futura chorona? "Trouxe ela aqui para criar a próxima geração do choro, nada melhor do que o grande mestre para dar o exemplo, ainda mais poder ver que ele está lúcido e segue animado com a música", disse a tia de Sofia, Ligiane Panosso.
Prova de que o choro não é nem jovem nem velho, é clássico. E foi Choro Clássico, a música em que Plauto mais "caprichou", segundo ele, a última música da noite. Aliás, a penúltima. Para Plauto, a última "é quando capota". E ele estava de pé, com flauta em punho, roubando a cena no palco. Chorou, sorriu, fez chorar e fez rir. Glênio Reis tinha toda razão. Plauto Cruz é uma figura ímpar, singular. É o chorão em tom maior.
Sobre Plauto Cruz
Plauto de Almeida Cruz nasceu em 15 de novembro de 1929, na cidade de São Jerônimo, a 70 quilômetros de Porto Alegre. Por influência de seu pai, músico, Plauto começou a tocar flauta desde criança. Nos anos 40, Plauto se mudou para Porto Alegre com o desejo de fazer da música o seu instrumento de trabalho. Aos 23 anos, o flautista deu início à carreira. O rádio foi o grande propulsor do sucesso. Plauto gravou 40 LPs com grandes nomes da música brasileira. Como solista, tem quatro LPs e, aos 69 anos, gravou o primeiro dos seus seis CDs. Entre os músicos que tocaram com Plauto estão Lupicínio Rodrigues, Jessé Silva, Tulio Piva, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra e Elis Regina. É considerado um dos principais expoentes do choro, primeiro estilo de música urbana brasileira, surgido em meados do século XIX.
Músicos no show de homenagem
Paulinho Parada _ violão (direção musical)
Elias Barboza _ bandolim
Gerson Barboza _ sete cordas
Juliana Rosenthal _ cavaco
Jorge _ pandeiro
Documentário "O choro é livre"
Direção _ Giórgia Bazotti
Roteiro original _ Felipe Nabinger e Andressa Bohl
Roteiro adaptado _ Giórgia Bazotti e Juliane Pimentel
Diretor de imagem _ Felipe Nabinger
Assistente de direção _ Juliane Pimentel
Produção executiva _ Simone Nunes
Produção _ Taís Seibt e Luana Guimarães
Decupagem _ Eduardo Herrmann, Eduardo Pedroso e Juliane Pimentel
Locução _ Taís Seibt
Edição _ Eduardo Teixeira
Finalização _ Eduardo Teixeira
Trilhas _ Plauto Cruz
*Texto originalmente publicado no JU Online
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