terça-feira, 24 de novembro de 2009

Por que John Locke está ao centro, mas de costas no cartaz de Lost 6?

Revelações substanciais estão reservadas para a última temporada...

Os fãs de Lost (como eu!) não cabem em si de tanta curiosidade pelo que irá acontecer na sexta e última temporada da série que seguiu a vida dos sobreviventes de um acidente aéreo numa misteriosa ilha tropical nos últimos cinco anos. Não bastasse Lost estar devendo muitas explicações, a divulgação do cartaz da temporada final deixa pelo menos mais uma pergunta em aberto: por que John Locke está ao centro, mas de costas no cartaz de Lost 6?
Que face ele irá revelar? O que ele dirá? Há algo que ele tenha a esconder? A quem, afinal, ele estaria dando as costas? Ou o que ele está deixando para trás? Muitas significações podem ser produzidas em cima dessa imagem – e hipóteses não faltam em blogs, fóruns, redes sociais e até mesmo no youtube, onde abundam trailers da sexta temporada produzidos por fãs com suas teorias.

No que se refere a Locke de costas no cartaz da temporada final, chama atenção o suspense criado no dia do lançamento. O vídeo abaixo mostra que, um a um, os personagens da série – inclusive os que já morreram (pelo menos em tese) –, foram aparecendo na imagem. O último a surgir é John Locke. Bem ao centro e de costas.




Observando não só a trajetória do personagem, mas também a postura de seu intérprete, Terry O'Quinn, no decorrer da trama, aumentam os indícios de que revelações substanciais estão reservadas para a última temporada. O'Quinn nunca falou à imprensa sobre Lost e nunca participou das entrevistas coletivas com os colegas de elenco. Locke tem um papel central na série, mas secundário nos bastidores. Talvez porque ele guarde algum segredo há muito tempo.

Aliás, um segredo tão bem guardado por ele e tão bem administrado por JJ Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse na construção dos episódios que até então nenhum telespectador havia desconfiado. Apenas nos últimos capítulos da temporada anterior colocou-se em dúvida a que veio John Locke. Precisamente no último episódio da quinta temporada tornou-se presente em Lost o eterno duelo entre o bem e o mal, ou entre a luz e a treva, como dito pelo próprio Locke no diálogo do trailer a seguir. Mistérios que só em janeiro de 2010 serão desvendados. Espera-se.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

Existe sinônimo para embugado?

“Disse de novo, pausadamente: em-bu-ga-da. Ele perguntou para o irmão, a mãe, a avó. Ninguém sabia do que se tratava.”

Toda tradução é uma interpretação. Dizia um pensador (foge-me agora se era Nietszche) que não existem sinônimos: cada palavra só equivale a ela mesma e qualquer substituição é inadequada, para não dizer inútil. Quem vive num lugar onde cavalo é pingo e cachorro é cusco conhece a potência de uma figura de linguagem.

Imagine explicar para um norte-americano o que significa “vê se pode”. Pior: como encontrar uma sentença que defina tão bem um dia gelado quanto “frio de renguear cusco”? Explique isso a um chileno! Eu tive que explicar a mais de dez. Quer dizer, tentei.

Só que nem é preciso ir tão longe. Gírias, regionalismos, neologismos são expressões idiomáticas que causam estranhamento até mesmo a interlocutores que falam o mesmo idioma. Outro dia, eu disse a meu namorado que estava “embugada”. Tive que repetir a palavra pelo menos mais três vezes até que ele entendesse a fonética da expressão (mas não o significado).

Disse de novo, pausadamente: em-bu-ga-da. Ele perguntou para o irmão, a mãe, a avó. Ninguém sabia do que se tratava. Limitei-me a explicar que, lá de onde eu venho, embugar-se é comer demais. Passaram os dias e eis que uma colega de trabalho dele termina a refeição e diz, adivinhe: “estou embugada!”. Era outra migrante da Serra Gaúcha, que jamais imaginaria que um porto-alegrense não sabia o que era embugar-se.

Até agora, nem eu nem ela encontramos sinônimo com a mesma força de expressão do que o vocábulo original. Estar embugado é o ato de embugar-se, e ponto final.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O que faz uma máquina de café


“Quase ataquei o tio da rapadura para ver se ele trocava uma nota de dois por duas moedas de um, mas resisti.”

Essa semana colocaram uma máquina de café automática no corredor da procuradoria, bem ao lado da minha sala. Quando despencaram lá com a tal da máquina, parecia algo de outro mundo! O frenesi faz lembrar aquele causo narrado por Mário Quintana, sobre a primeira vez que viram um carro: todos queriam saber que “bicho” era.

Foi assim com a máquina de café que colocaram lá no MPF. Incrível como um simples equipamento que faz café sozinho muda o ambiente... foi uma briga para ver quem seria o primeiro a depositar sua moedinha e posar para a foto da intranet com o café na mão.

Logo começaram a bater na porta da Ascom para perguntar se a máquina de café funcionava. O negócio estimula mesmo. Não falo do café em si, que é reconhecidamente estimulante. Falo do ato de ir até a máquina pegar um café. Isso parece estimular a convivência informal entre as pessoas, o que, vamos combinar, é justo e necessário num ambiente onde sobram formalidades.

No dia seguinte à instalação, quase ataquei o “tio da rapadura” para ver se ele trocava uma nota de dois por duas moedas de um, mas resisti. A gentileza de um colega me poupou de tal constrangimento. Mas o próximo é por minha conta. Moedas, portanto, serão bem-vindas.